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Como usar a dessecação a favor da produção de soja
Pesquisador orienta sobre qual a maneira mais correta de adotar esta prática na fazenda
Sexta, 21 de Janeiro de 2022
Área comercial de soja em Goiás (Alexandre Gazolla/Divulgação)

A busca por práticas agronômicas cada vez mais eficientes, que garantam mais assertividade na tomada de decisão e qualidade dos grãos e das sementes, tem sido uma constante. A dessecação na cultura da soja tem se consolidado como um manejo inovador nos campos de produção e se mostrado uma prática aliada daqueles que buscam por mais produtividade e rentabilidade.

Sobre o assunto, o engenheiro-agrônomo e doutor em Sementes Alexandre Gazolla ressalta que identificar a maturidade fisiológica ideal para a dessecação na cultura da soja e avaliar a variabilidade espacial em campos de produção são aspectos-chaves para obter os resultados almejados com a prática.


Novo Rural – Além da maturação uniforme dos campos de produção de grãos e sementes, que favorecem a antecipação da colheita, que outras vantagens podem ser apontadas decorrentes da adoção desta prática?

Alexandre Gazolla– No âmbito da produção de grãos, a dessecação reduz as perdas durante a colheita bem como o desgaste da máquina e o consumo de combustível, também mantém a qualidade dos grãos, aumentando o potencial de armazenamento. Em campos destinados à produção de sementes, as vantagens estão relacionadas à menor exposição destas à danos mecânicos durante o processo de trilha. A antecipação da colheita, inclusive, reduz a exposição das sementes ao ataque de pragas e às variações ambientais, com destaque para as flutuações da umidade relativa e temperatura. Além disso, proporciona a manutenção dos níveis de germinação e vigor obtidos durante o ciclo da cultura.

NR – Quais características são perceptíveis nas plantas e funcionam como indicadores do momento ideal para realizar a dessecação? 

Alexandre Gazolla– A identificação correta da maturidade fisiológica é essencial para alcançar os resultados almejados com a dessecação, ou seja, não perder peso de grão ou qualidade de semente. Na prática, o ideal é que a aplicação ocorra a partir do estádio fenológico R.7.3, momento em que cerca de 76% das folhas e vagens estão amarelas. Nesta fase, inclusive, os grãos e/ou sementes estão com umidade entre 50% a 54%, estes também estão desligados vagens. Já os nódulos provenientes da interação das raízes com as bactérias estão em processo de senescência. Estes são indicadores precisos da maturidade fisiológica ideal para realizar a dessecação e são estes que precisam ser observados de forma individual e também no talhão.

NR – Tendo em vista que os campos têm desuniformidades influenciadas por questões de solo, clima, que operações devem ser adotadas a campo para dessecar as áreas de forma adequada?

Alexandre Gazolla– A dessecação deve ser realizada com base na capacidade de colheita. Por isso, é muito importante realizar uma amostra significativa de toda a área, coletando plantas e observando os pontos de variabilidade desta para tomar a melhor decisão. Por exemplo, iniciar a dessecação pela parte mais adiantada do talhão e deixar a parte mais atrasada para realizar a aplicação em um ou dois dias depois.

Também é preciso cuidar as cultivares, pois têm as de hábito de crescimento determinada, semi e indeterminada, que influenciam na uniformidade de maturação da planta. Também muito cuidado com áreas de bordadura, florestas e com maior concentração de umidade, pois estas costumam apresentar pontos de maturação desuniformes. 

NR – O senhor acredita que é possível aliar o uso de tecnologias disponíveis no mercado para ter mais assertividade na análise de variabilidade dos campos? Como isso influencia na dessecação?

Alexandre Gazolla– Sim. Para essa análise da variabilidade no campo existem tecnologias como drones, VANT e, até mesmo, é possível realizar análise de imagens via satélite ou avaliar a variabilidade de biomassa por NDVI. Todos estes servem para tomada de decisão ou para programar uma taxa variável na aplicação. 

NR – Sobre a aplicação na prática, quais aspectos devem ser levados em consideração?  
Alexandre Gazolla
– Atualmente, as duas moléculas disponíveis para esta finalidade são de contato, apresentando baixa ou nenhuma translocação na planta. Volumes de calda elevados em aplicações terrestres apresentam maior eficiência. O aplicador deve priorizar gotas de tamanho médio a grossa, além de verificar a cobertura da aplicação através de papel hidrossensível. É muito importante, inclusive, observar o cobrimento dessa aplicação, pois são plantas de fim de ciclo em que a absorção é reduzida. Lembrando, onde tem mais biomassa é preciso aumentar o volume de calda.

Ressalto que devem ser utilizados produtos registrados no Mapa e autorizados para essa finalidade, além de todas as outras recomendações estabelecidas para aplicações no campo.

NR – Sobre a realização da prática de forma incorreta, quais são os principais prejuízos? 
Alexandre Gazolla
– Quando realizada antes da maturidade fisiológica ideal, a dessecação pode resultar em perdas consideráveis na produtividade da soja, interferindo na germinação e no vigor das sementes colhidas. Já a aplicação atrasada não apresentará resultados significativos na antecipação da colheita, frustrando o objetivo principal da operação.

Fonte: Estúdio Novo Rural – Conteúdo para o Agronegócio
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