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Capacitar para suceder: como preparar os jovens para assumir a propriedade rural
Sexta, 14 de Janeiro de 2022
(Gracieli Verde/Novo Rural)

O perfil curioso do jovem agricultor Renan Mateus Both, de 22 anos, aliado à experiência de muito trabalho e dedicação ao campo dos pais Elias José, 70 anos, e Soeli Maria Both, 66 anos, tornam a família um case de como o relacionamento e a qualificação das pessoas podem influenciar na sucessão familiar na propriedade rural em Aratiba/RS.

A família cultiva grãos e cria gado de corte. Em 2021, mesmo com os gargalos gerados pela pandemia do novo coronavírus, teve acesso ao assessoramento por meio do Programa Gestão e Sucessão na Propriedade Rural, mantido na região de abrangência da Sicredi UniEstados, desenvolvido em parceria com o Sebrae/RS.

– A gente aprendeu bastante coisa. Não é que a gente não sabia trabalhar na roça, mas talvez não da maneira certa. O consultor vinha aqui na propriedade e explicava muita coisa para nós. Além disso, tínhamos contato direto pelo WhatsApp, facilitando quando tínhamos alguma dúvida – lembra o jovem Renan, que foi o “participante oficial” do programa, que contava com encontros presenciais quando as condições sanitárias permitiam.

Para se ter uma ideia, foi o primeiro ano em que a família usou mais equipamentos para os cultivos das áreas, a exemplo da plantadeira. Foi por meio da parte técnica que o programa abrange que os Both se sentiram mais seguros para operacionalizar o processo. 

– Adotamos parte das técnicas ensinadas, vendo o que mais dá resultado. Não adotamos tudo de uma vez, mas vamos testando conforme nossas possibilidades – pontua o jovem.

O conhecimento sempre foi compartilhado com os pais e a sabedoria acumulada de décadas e décadas dedicadas à agricultura nunca foi ignorada. “Todas as decisões são tomadas em conjunto, ninguém faz nada sem consultar o outro. É uma forma de mantermos a harmonia e valorizarmos as ideias de todos”, comenta o pai Elias.

Isso reflete diretamente na decisão de Renan em amadurecer a ideia de seguir com os negócios da família – por mais que o desejo dele em ficar no campo era algo visível desde criança, pelo afeto pelo campo.

Ainda na escola normal, começou a fazer cursos que envolviam temas relacionados à produção primária, como de mecânica, auxiliar de veterinária, secagem e armazenagem de grãos, e agora este de gestão. A curiosidade do rapaz também faz com que as pesquisas na internet sejam muito frequentes, o que também auxilia nos conhecimentos agronômicos e de manejo.

O exemplo de gestão financeira vem do pai. No passado, quando a filha Rosane tinha dúvidas se ficava ou não no campo, ele sugeriu que a moça fizesse os cálculos de quanto que renderia o trabalho na propriedade, na época com suínos, para comparar com o que poderia somar de rendimentos em outros segmentos.

O desejo do filho em ficar no campo fez com que o pai se animasse em investir em equipamentos mais modernos nos últimos anos. “Sempre tive muito claro que temos que trabalhar com algo que dá lucro, e no nosso caso foi isso que vimos, que aqui seria mais rentável”, resume o agricultor. Ter autonomia na propriedade, mesmo com a consulta entre todos, também se torna o formato de convivência favorável para a sucessão rural. Com valores alinhados e claros, a confiança é o que impera.

Tudo isso também é motivo de orgulho para dona Soeli, em ver o filho se desenvolvendo e dando andamento para o que construiu ao lado do esposo. Mesmo vindos de temporadas que o clima tem desafiado os produtores – com dois anos em que a escassez hídrica tem sido recorrente –, é símbolo de força e persistência. 

– Temos força de vontade. Sem vontade não se faz nada. Passamos por dificuldades, mas tudo passa – exclama.


Incentivo a famílias rurais

O Programa Gestão e Sucessão na Propriedade Rural é voltado para famílias e visa atender às necessidades dos produtores. São três módulos, gestão financeira, gestão técnica e o de olho na qualidade, que é baseado no conceito dos 5S’s.

Para participar um dos critérios é que a família já esteja vivenciando um processo de sucessão nos negócios, de modo que o trabalho do programa possa auxiliar neste desenvolvimento pessoal e profissional destas pessoas nas propriedades. O que se quer é justamente dar suporte para estas famílias avaliarem quais riscos e oportunidades se têm nos ramos de atuação em que operam dentro do agro.

– Para 2022 serão formadas novas turmas, com 20 famílias em cada grupo. Serão mais nove meses de trabalho de assessoramento – adianta o assessor de Segmentos Agro/Sicredi UniEstados, Fabiano Noronha. 

Em entrevista ao Giro pelo Agro, da Novo Rural, que vai ao ar no domingo, dia 16, às 11 horas, a gerente de Negócios Agro/Sicredi de Aratiba, Joice Carla Stadtlober Fortuna, e a analista do Sebrae/RS Cátia Roy também participam, expondo outros diferenciais do programa.

Assista: 

 

Fonte: Gracieli Verde | novorural.com
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