Boletim técnico: o que é a aplicação zero e quando realizá-la? | Agricultura | Notícias | Novo Rural
(54) 3194-0098 | (55) 99960-4053
PUBLICIDADE
Boletim técnico: o que é a aplicação zero e quando realizá-la?
Segunda, 29 de Novembro de 2021
Divulgação

Por Ivanice R. Menegusso, Michelle D. F. Basso, Rodrigo R. Seifert,integrantes da AGR JR da UFSM de Frederico Westphalen


A prática Aplicação Zero, ou também denominada primeira aplicação não verdadeira de fungicida na soja, vem sendo muito utilizada pelos agricultores. Ela é realizada antes da primeira aplicação verdadeira de fungicida do programa, geralmente entre os estádios vegetativos V2 e V4 da cultura da soja, mas isso pode variar de acordo com a cultivar, inóculo de doença e condições climáticas.  

O pesquisador Marcelo Gripa Madalosso ressalta que a distância entre a aplicação zero e a primeira aplicação verdadeira não deve ser maior que 12 dias. E a primeira aplicação não deve ser atrasada em virtude da aplicação zero, já que a primeira aplicação é a mais importante para o controle do baixeiro. Nas demais aplicações, os produtos escolhidos vão depender das condições climáticas serem mais favoráveis para algumas doenças.

O principal objetivo de realizar essa aplicação é reduzir o inóculo de doenças necrotróficas, entre elas temos as doenças de final de ciclo (DFCs). Por exemplo,  mancha-parda (Septoria glycines), mancha-alvo (Corynespora cassiicola), mancha-púrpura (Cercospora kikuchii) e antracnose (Colletotrichum truncatum). Além disso, em algumas situações, como no cultivo da soja safrinha, essa aplicação pode diminuir o inóculo de doenças biotróficas como a ferrugem asiática e até mesmo oídio. Temos que ter claro que não existe 100% de controle de doenças, apenas uma diminuição do inóculo e, por consequência, melhor sanidade do baixeiro. 

Uma vez que a aplicação zero tem caráter complementar, ou seja, auxiliar as aplicações futuras sem aumentar o custo, normalmente não se utiliza produtos líderes de mercado para realizá-la. Além disso, na grande parte das vezes, a prática é realizada junto com o herbicida glifosato na capina. A melhor opção seria realizar esta aplicação separada pelo fato de que o glifosato possui características físico-químicas que vão diminuir o pH de calda para valores abaixo de 4, já o fungicida prefere um pH de calda entre 5 e 7. Temos que ter em mente que esta associação pode causar incompatibilidade e ocasionar perdas, o ideal é encontrar uma faixa de pH onde ambos os produtos possam desempenhar seu papel. 

Em relação aos produtos utilizados, a sua composição deve ser feita à base de triazóis, mas não de forma isolada. O mais comum é o uso de triazol+triazol, triazol+benzimidazol, triazol+estrobilurina e de forma menos comum e mais cara é o uso de triazol+carboxamidas. O ideal é não usar os mesmos ingredientes ativos em sequência pelo fato da pressão de resistência da doença.

Deve-se sempre avaliar o custo benefício da aplicação. O engenheiro-agrônomo deve conhecer o histórico da área, culturas antecessoras e a suscetibilidade da cultivar a doenças. É importante que ter clareza na comunicação com o produtor, pois esta aplicação não pode interferir no restante do planejamento do programa de aplicação, atrasando-o, por exemplo. 


Referências Bibliográficas: 

AGROLINK & ASSESSORIA, “Aplicação inicial preventiva de fungicidas: conheça o conceito da Aplicação Zero”,   https://www.agrolink.com.br/noticias/aplicacao-inicial-preventiva-de-fungicidas--conheca-o-conceito-da-aplicacao-zero_412463.html, acesso em:10 de novembro 2021.

Equipe Mais Soja, “Aplicação ZERO: detalhes técnicos”, https://maissoja.com.br/aplicacao-zero-detalhes-tecnicos/, acesso em: 10 de novembro de 2021. 
 

Fonte: AGR JR.
MAIS FOTOS