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Boletim técnico: conheça mais sobre o mofo branco da cultura da soja
Quarta, 13 de Outubro de 2021
Divulgação

Por Nitiele Silva de Azeredo e Marcelo Damaceno da Silva, integrantes do grupo PET Ciências Agrárias da UFSM/FW, sob a supervisão do professor-doutor Claudir José Basso, do Departamento de Ciências Agrárias da UFSM-FW


O cultivo de uma nova safra de soja se inicia no Brasil. Uma cultura de grande importância econômica e alimentícia e que necessita de cuidados com relação a doenças que podem prejudicar e comprometer a produtividade. Dentre essas doenças, o mofo-branco causado pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum se destaca pela agressividade, potencial de dano, gama de hospedeiros e mecanismos de sobrevivência no ambiente. Essa doença pode reduzir de 20% a 30% a produtividade final de grãos, podendo ainda ser superior em situações de falha de controle e de condições ambientais favoráveis ao desenvolvimento da doença (Meyer et al., 2019).

Os sintomas iniciais do mofo-branco são a presença de lesões encharcadas de coloração castanho-claro que evoluem para necrose nas folhas ou outros tecidos da parte aérea da planta. Depois disso, se desenvolve uma abundante massa de micélios brancos e densos que se espalham sobre o tecido vegetal, podendo causar a morte de ramos, vagens, folhas e plantas.

Com desenvolvimento do fungo, ocorre a junção de hifas e a formação de estruturas rígidas de coloração preta, tanto na superfície como no interior da haste e vagem infectada, conhecidas como escleródios (imagem 1). Estas estruturas são a forma de resistência do patógeno, que podem se manter viável no solo por até 10 anos. 

Imagem 1: Escleródios, estruturas de resistência do fungo.Foto: Josefa Neiane Goulart Batista.


 As condições ambientais que favorecem a ocorrência da doença são de alta umidade relativa do ar e temperaturas variando entre 10 °C e 21°C. O momento em que a planta se encontra mais vulnerável à infecção é o estádio fenológico R2, em plena floração, pois as flores são fonte primária de energia para o fungo causador da doença. 

As medidas de manejo que devem ser adotadas podem ser divididas em dois grandes grupos: as que visam redução do inóculo e da incidência desse patógeno. 

Com relação a pressão do inóculo, deve-se buscar práticas que reduzam a quantidade de escleródios viáveis no ambiente, seja elas pelas inviabilizações dos mesmos, bem como pela adoção de um sistema de produção que não favoreça novas produções desses escleródios. A manutenção de palhada sobre o solo, preferencialmente de gramíneas, para inibir a formação de apotécios (estruturas que surgem do escleródio e liberam os esporos do fungo). Essa tem sido apontada por muitos técnicos e produtores com uma das melhores estratégias de manejo dentro de um programa de manejo integrado de doenças (MID). 

  • Rotação e/ou sucessão com culturas não hospedeiras como trigo, milho, aveia, entre outras gramíneas. Evitar o cultivo de hospedeiras como soja, nabo, feijão e girassol;
  • Uso de agentes biológicos antagonistas como o Trichoderma e da bactéria Bacillus que tornam os escleródios inviáveis. Devendo ser feita a aplicação antes da germinação dos escleródios;
  • Utilização de sementes certificadas, com garantia de ausência de escleródios e tratadas com fungicidas;
  • Emprego de controle químico, de modo preventivo, por meio de pulverizações foliares de fungicidas no período de maior vulnerabilidade da planta (estádio fenológico de R1 a R4), atentando-se para boa cobertura de toda a planta, principalmente no terço inferior.
  • As medidas que buscam reduzir a incidência e progressão da doença são baseadas em diminuir as condições favoráveis ao desenvolvimento e dispersão da doença, são elas:
  • Escolha de cultivares que apresentem arquitetura mais ereta, de poucas ramificações e folhas pequenas, pois proporcionam maior aeração entre as plantas. Deve-se preferencialmente optar também por cultivares de ciclo curto, pois ficam menos dias em floração e consequentemente menos expostas a infecções;
  • Utilização de população de plantas e espaçamento entrelinhas adequadas às cultivares, permitindo maior aeração entre plantas;
  • Fazer a limpeza de máquinas e equipamentos após utilização em área infestada para evitar a disseminação de escleródios em novas áreas.

Manter a lavoura livre de mofo branco em muitas situações pode ser desafiador em virtude das características do agente causador, no entanto, com o devido conhecimento a respeito do patógeno, monitoramento da lavoura e com a utilização conjunta das práticas de manejo, buscando manejo integrado, a pressão da doença se torna menor e o manejo mais fácil ano a ano. Como medida preventiva para evitar a entrada dessa doença em lavouras em que ela ainda não ocorre, a atenção deve ser dada com relação a aquisição com relação à procedência, origem e qualidade das sementes, sejam elas para implantação de lavouras comerciais, bem como para cobertura de solo.


Referências: 
GORDEN,C.A. et al. Manejo do mofo branco da soja com palhada de Brachiaria ruziziensis e Trichoderma harzianum 1306. 2009. 
GÖRGEN, Claudia Adriana et al. Controle do mofo-branco com palhada e Trichoderma harzianum 1306 em soja. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 44, p. 1583-1590, 2009.
JUNIOR,J.A.l.V. et al. Mofo-branco em soja. Plantio direto, [20--].
MEYER, M. C. et al. Eficiência de fungicidas para controle de mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum) em soja, na safra 2020/2021: resultados sumarizados dos experimentos cooperativos. Embrapa Soja-Circular Técnica, 2021.
MEYER, M.C. et al.  Ensaios cooperativos de controle biológico de mofo-branco na cultura da soja – safras 2012 a 2015. Embrapa Soja, 2016.
MEYER, M.C.; CAMPOS, H.D.; GODOY, C.V.; Mofo-branco: Desafios do manejo da cultura da soja. Revista cultivar, Pelotas, [20--].
Fonte: PET Ciências Agrárias/FW
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