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Opinião: Política sem gênero
Quarta, 28 de Julho de 2021
Divulgação

Por Adriana Memlak, Carmen Zancanella, Edimara Dal Ross , Vanessa Dal Canton, Valéria Zanata Senger, Carmem Roncaglio Zanela e Gabriele Pellin, extensionistas sociais da Emater/RS-Ascar


O tema política pode causar estranheza para algumas pessoas. Para as mulheres pode ser um assunto ainda incomum entre suas falas. Fato compreensível, pois o direito ao voto somente foi conquistado por elas no ano de 1928, quando também tivemos a primeira mulher eleita como vereadora. No ano de 1932, com o novo Código Eleitoral Brasileiro foi consolidado o direito ao voto feminino. No Brasil as mulheres representam 52,5% dos eleitores com direito a voto, segundo a Cartilha Mais Mulheres na Política, de 2020. 

Tanto o voto feminino quanto a representatividade feminina nos espaços políticos são importantes, porque somente através disso podemos ter políticas públicas voltadas para a defesa e a garantia de direitos da mulher. Tais políticas refletem na melhoria da independência econômica, equiparação salarial, melhoria das condições do trabalho, acesso a renda, saúde da mulher e educação de qualidade para todos.

Muitos avanços e direitos só foram conquistados pela representatividade da mulher nos espaços de discussão e decisão. Exemplo disso são os sindicatos, conselhos, secretarias, associações, cooperativas e cargos políticos. Podemos citar como conquistas a estabilidade das gestantes e a volta da licença maternidade nos cargos ocupados, vagas em creches públicas para as mães voltarem para o mercado de trabalho, direito a amamentar, dentre tantos outros que são valorizados pelas mulheres. 

Mesmo que as mulheres muitas vezes não assumam estes cargos pelas experiências negativas vistas e vivenciadas – e também pela sobrecarga de trabalho –, é somente pela participação ativa na política que as mudanças sonhadas irão acontecer. Temos muitas lutas e batalhas pela frente. Precisamos da representatividade e visão da mulher nos espaços que podem ser ocupados, pois foram conquistados com muita luta e garra de mulheres que viveram em tempos mais nebulosos antes de nós.

Se pararmos para pensar, percebemos que se questiona a representação em cargos políticos por serem do sexo masculino ou feminino. Isso porque se espera que mais e mais mulheres possam exercer estes postos, dada a circunstância histórica. Entendemos que o questionamento deveria vir ao encontro do preparo daqueles e daquelas que serão nossas lideranças representativas, independente da questão de gênero.  
A quantidade de papéis desenvolvidos pela mulher pode ser um dos grandes desafios para que ela manifeste interesse em ocupar cargos políticos, uma vez que este poderá ser mais um compromisso no seu dia a dia que é sobrecarregado. Esta sobrecarga tem origem cultural de um tempo em que a mulher exercia somente atividades no lar e sua participação não era valorizada. Entretanto, com o passar do tempo a mulher passou a ter e dar lugar aos seus compromissos profissionais e sociais. 

Neste sentido, ser um representante político exige comprometimento, responsabilidade, retidão e principalmente conhecimento de suas funções, indiferente de gênero. Acreditamos que para uma pessoa exercer um cargo político precisa estar preparada aos desafios que surgirão, ter disponibilidade de tempo, que muitas vezes perpassa aos que estão definidos nos planos que foram propostos.

Ser político, indiferente de gênero e de representar uma sigla partidária, significa ter condições de saber ouvir e só fazer valer suas opiniões quando de forma convincente argumentar a relevância do que defende. Entender a importância da política é ter o discernimento de que gênero não define quem é melhor e sim dá condições iguais para que todos tenham a oportunidade de se candidatar e desempenhar, quando eleito, este importante trabalho.

Se isso faz sentido para você, pensamos que cabe a nós educarmos para que as gerações futuras compreendam que não existe mais papel de mulher e de homem e sim que vivemos em um mundo de paridade de compromissos, libertando a mulher deste conceito de “faz tudo”.

Por fim, a partir do momento em que nos dispusermos a mudar nossa visão sobre a política, poderemos alcançar grandes mudanças na sociedade. A atuação efetiva da mulher pode causar transformações muito positivas na política, com sensibilidade para observar as situações, um olhar criterioso, que consegue ter uma visão detalhada dos assuntos. Assim, os gêneros precisam se complementar, na vida e na política, para conseguirmos realmente a transformação social que buscamos.
 

Fonte: Da Redação, com informações Emater-RS
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