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Inovação tecnológica passa pela inclusão dos pequenos produtores, diz estudo
Esta inclusão ainda esbarra em desafios estruturais, capacitação e financiamento
Quinta, 24 de Junho de 2021
Divulgação

O trabalho acadêmico “Estado atual da agricultura digital no Brasil: Inclusão dos agricultores familiares e pequenos produtores rurais”, lançado há poucos dias, aponta a capacidade de adoção de novas tecnologias como o principal fator para inclusão para pequenos produtores.

Realizado pelo CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e Caribe) da ONU (Organização das Nações Unidas), o estudo pontua, inclusive, que apesar de historicamente a distribuição de terras ser causa “da desigualdade na agricultura brasileira, nas últimas décadas, o principal fator foi a capacidade de absorção de inovação em geral”.

Para apresentar tais argumentos, os pesquisadores Antônio Márcio Buainain, Pedro Cavalcante e Letícia Consoline compilaram e analisaram diferentes estudos sobre o processo de adoção tecnológica na agropecuária brasileira nas últimas décadas.

Entre eles, Censos Agropecuários como o de 2017, os levantamentos “Tendências, desafios e oportunidades em agricultura digital no Brasil” e “A mente do produtor brasileiro na era digital”, o Radar AgTech 2021, entre outros, além de ampla bibliografia.

Após esta análise, o documento alerta sobre o contexto preocupante em relação ao processo de inovação em curso atualmente para a média dos pequenos produtores, o que acentua a perspectiva de desigualdade, baixa renda e pobreza no campo.

No entanto, os autores ressalvam um grupo de pequenos produtores diferenciado do retrato médio do país, já que são capitalizados, usam tecnologia e estão bem inseridos no agronegócio, inclusive com percentual significativo no VBP (Valor Bruto da Produção) do agronegócio nacional.

“Esse grupo está concentrado nas regiões Sul e Sudeste, mas com presença também no Nordeste, principalmente nos perímetros irrigados, e poderiam se beneficiar das tecnologias digitais”, descreve o estudo.

Drivers do Agro 4.0

Com objetivo de subsidiar programas e políticas, o estudo pontua e descreve os agentes e ações que podem democratizar a inclusão do pequeno produtor no processo de inovação do setor no País.

A pesquisa considera que o movimento de inovação do Agro 4.0 conta com players tradicionais, como Governo Federal, Embrapa, governos estaduais, entidades de classe como o Sistema CNA Senar, empresas e cooperativas, mas também as agtechs, como um dos traços diferenciadores no processo para este novo salto tecnológico.

“As Agtechs são pequenas, flexíveis e suficientemente criativas para identificar problemas, muitos pontuais, mas nem por isso menos importantes, buscar possíveis soluções. Sem passado para amarrá-las, tanto do ponto de vista tecnológico como organizacional, vêm permeando todo o sistema, com liberdade e flexibilidade”, descreve a pesquisa.

Outra característica própria apontada pelo material sobre a atual onda de inovação é justamente o produtor rural. Se no passado, as inovações vinham tradicionalmente de “fora para dentro”, ou seja, de empresas ou outros agentes, agora é cada vez mais comum o próprio produtor ser mais proativo motivado pela exigência do mercado.

“A agricultura foi definitivamente inserida no contexto no qual a concorrência atua como fator de coerção para a adoção de padrões econômico-institucionais mínimos. Os produtores não terão alternativas de sobrevivência se não forem capazes de se ajustar às exigências do mercado, e essas exigências significam, necessariamente, mudar a forma de produzir e de acumular”.

Desafios

O documento enumera seis desafios principais para a inclusão dos pequenos produtores na agricultura 4.0 e seus processos de inovação: institucional (coesão e abrangência entre os programas das instituições), infraestrutura (conectividade, por exemplo), geração de tecnologia alinhada às necessidades dos produtores, difusão de tecnologia, educação digital/capacitação e financiamento.

Quanto a isso, os pesquisadores não são otimistas sobre a inclusão dos pequenos produtores, apesar de enumerarem ao menos 10 programas de transferência e/ou inclusão tecnológica sejam públicos, institucionais ou privados.

“No contexto da heterogeneidade estrutural que marca a agricultura brasileira, não é pequeno o risco de aumento da concentração e das desigualdades caso o processo seja guiado apenas pelo mercado, sem definição de estratégias e medidas para apoiar o acesso abrangente às tecnologias que já estão e que estarão disponíveis”.

Fonte: Da redação, com informações AgEvolution
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