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Plantas desenvolvem ´memória` contra estresse térmico
Vegetais aprendem a lidar melhor com o calor por meio de um tipo de enzima
Segunda, 21 de Junho de 2021
Divulgação

Pesquisadores do Instituto de Ciência e Tecnologia de Nara, no Japão, descobriram um grupo de proteínas que controla genes e faz as plantas “lembrarem” sobre como lidar com o estresse térmico.

O estudo publicado na Nature Communications revela que plantas submetidas a situações de calor moderado aprendem a lidar melhor com esta condição.

Assim, caso expostas novamente a altas temperaturas, elas têm maior tolerância e desempenho do que aquelas sem este “aprendizado” prévio.

Como as plantas não podem se mover para evitar condições adversas, como altas temperaturas potencialmente letais, variedades “ensinadas” podem representar um grande avanço para a agricultura.

“Depois que as plantas passam por um estresse térmico moderado, elas se tornam mais tolerantes e podem se adaptar melhor a tais condições, especialmente em suas descendentes. Isso é referido como ‘memória’ e foi correlacionado a modificações epigenéticas”, diz o autor principal do estudo Nobutoshi Yamaguchi.

Segundo ele, as modificações epigenéticas são alterações hereditárias na maneira como os genes são expressos e não envolvem alterações nas sequências de DNA.

Os pesquisadores examinaram o porquê algumas plantas da mesma espécie reagiam de forma diferente às mesmas condições de calor e identificaram um grupo específico de proteínas como a causa.

“Queríamos descobrir como as plantas retêm uma memória das mudanças ambientais. Examinamos o papel das proteínas JUMONJI (JMJ) na tolerância à temperatura adquirida em resposta ao calor recorrente dentro de alguns dias”, explica Toshiro Ito, autor sênior.

Memória de calor

As proteínas JUMONJI são histonas demetilases, um tipo de enzima que fornece suporte estrutural aos cromossomos. A equipe revelou que as plantas mantem a memória de calor por causa da redução da enzima H3K27me3 em genes de choque térmico.

“Descobrimos que essas proteínas são necessárias para a aclimatação ao calor em Arabidopsis thaliana. Esses resultados, juntamente com estudos futuros, vão esclarecer ainda mais os mecanismos de memória e adaptação das plantas”, diz Yamaguchi.

A pesquisa pode ser importante em vários campos, incluindo biologia, bioquímica, ecologia e ciências ambientais e agrícolas, e é aplicável ao estudo de animais e também de plantas.

Compreender o mecanismo de memória epigenética revelado ajudará a trabalhar com a tolerância ao calor para manter o suprimento de alimentos em condições naturais.

Fonte: Da Redação, com informações AgEvolution
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