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Suinocultura chama atenção do empreendedorismo feminino
Mesmo já atuando em outras atividades da pecuária e como professora, produtora rural de Sarandi/RS vislumbra na atividade mais uma forma de gerar renda à propriedade e garantir mais qualidade de vida à família
Terça, 15 de Junho de 2021
Rafaela Rodrigues/Arquivo Novo Rural

O empreendedorismo feminino presente na família Lambert, em Sarandi/RS, reforça o poder da atuação das mulheres no campo, especialmente no que refere a diversificação de renda, investimentos, com destaque às tecnologias, e expertise no gerenciamento. Produtora rural, professora da rede pública municipal de ensino, pós-graduanda e mãe, Sabrina Fetter Lambert, 30 anos, tem muito a inspirar as mulheres do agronegócio.

Este perfil multitarefa da Sabrina é resultado de uma construção. Isso porque desde muito jovem sempre buscou pela qualidade de vida estudando, morando em outras cidades gaúchas e trabalhando em outras áreas do setor agropecuário, mas foi na propriedade de 24,5 hectares dos pais Valéria e Renato Lambert, ambos com 60 anos, que ela conseguiu dar voz e vez à personalidade empreendedora. Claro que o seu Renato também contribuiu nesta construção, dando autonomia para a filha gerenciar a propriedade da família. “Quando chega um vendedor, por exemplo, ele diz: espera que tenho que chamar minha filha para ver”, revela ela, feliz com a autoridade que conquistou nos negócios, pois a tomada de decisão sempre ficava unicamente a cargo do pai.

Na propriedade, a bovinocultura de leite soma 33 vacas em lactação, as quais produzem em média 18 litros/vaca/dia. Também há um rebanho de 23 cabeças de gado de corte. O tio Arlindo Fetter, 77 anos, que também mora no local, trabalha com a produção de mel. além disso, são cultivados grãos para abater os custos com alimentação animal e silagem para consumo do rebanho e para vender nas redondezas. Além disso, recentemente – por um olhar empreendedor da Sabrina – investiram na suinocultura. Com isso, a propriedade tem uma pocilga com capacidade de alojar um mil suínos por lote. E não para por aí, quando a reportagem foi à propriedade eles estavam trabalhando na terraplanagem da segunda estrutura, com capacidade de abrigar mais mil animais.

– Ninguém da família era a favor de mais um investimento. Mas, como sou insistente e acreditava que poderia ser viável para as nossas contas, fui atrás e conseguimos construir a primeira pocilga. Estamos conseguindo ter um retorno sólido e, por isso, mais uma estrutura – ressalta Sabrina. Ela também está atenta às tecnologias, tanto que para ajudar na adaptação dos leitões assim que chegam no local e garantir mais qualidade na produção, está trabalhando com homeopatia, assessorada pela Emater/RS-Ascar.

Com o apoio dos pais, tio, cunhado – que trabalha na propriedade – e do esposo Marcos Spiegel, 35 anos, ela consegue gerenciar seu tempo e dar conta de tudo um pouco. Além disso, é motivo de inspiração para os filhos, os pequenos Júlia, 8 anos, e o Miguel, 3 anos. 

– Confesso que já pensei em parar com pelo menos uma das atividades, mas não consigo, porque gosto de tudo o que faço e tudo dá um retorno. A rotina é agitada, mas temos força de vontade. Trabalhamos de segunda-feira a segunda-feira, das 6h30 às 20h. De manhã acordo, vou para ordenha e auxilio nos tratos dos animais. Já a tarde vou para escola dar aula e no fim do dia volto para ajudar novamente – relata Sabrina. Além disso, ela faz uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento durante a noite, momento que também é dividido com os seus pequenos. 

Como filha de agricultores, Sabrina sabe dos desafios do empreendedorismo feminino no meio rural, mas com força de vontade e pluralidade ela já mostrou que as mulheres podem fazer a diferença. Alguém ainda duvida que não?

Suinocultura em Sarandi/RS

A suinocultura tem contribuído para o desenvolvimento das propriedades rurais de Sarandi/RS. Conforme o extensionista rural Graciel Maggione, da Emater/RS-Ascar, o município conta com 19 suinocultores. 
– Além de contribuir significativamente com a geração do ICMS do município, a atividade tem se consolidado como uma ferramenta efetiva para incentivar a permanência dos jovens no campo, como é o caso da Sabrina e do Marcos, mesmo tendo atividades externas à propriedade – destaca Maggione, responsável por assistir a família na atividade por meio da assistência técnica pública. 


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Fonte: Rafaela Rodrigues/Novo Rural
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