Dia Mundial do Leite: o que o futuro vai exigir da cadeia produtiva? | Pecuária | Notícias | Novo Rural
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Dia Mundial do Leite: o que o futuro vai exigir da cadeia produtiva?
Refletir e avaliar sobe o que que mais faz sentido para o consumidor em relação aos produtos lácteos é um dos fatores que podem fazer a diferença no que se refere ao futuro desta atividade pecuária
Terça, 01 de Junho de 2021
Rafaela Rodrigues/Arquivo NR

O dia 1° de junho foi escolhido pelas Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO/ONU) como o Dia Mundial do Leite. Desde 2001, a ideia é incentivar o consumo de lácteos ao redor do globo. A escolha da data comemorativa é conivente com os festejos nacionais, já tradicionais, sobretudo, na União Europeia. 

O leite é um produto apreciado mundialmente. O produto está presente na alimentação de cerca de 80% da população, contribuindo com 5% da energia, 10% da proteína e 9% da gordura consumida no planeta. No Brasil, o leite é integrante assíduo da cesta básica nacional, estando em mais de 90% dos lares, segundo o IBGE. 

O Brasil é o quarto maior produtor de leite do mundo. De acordo com o levantamento censitário do IBGE, em 2017, foi constatada que mesmo com a redução no número de produtores e de vacas ordenhadas, a produção nacional de leite cresceu expressivos 47%, o que significou mais de 9,5 bilhões de litros, superando a marca de 30 bilhões de litros produzidos no ano. 

O censo aponta, ainda, que em 2017, o Brasil contava com 1,176 milhão de estabelecimentos produtores de leite. Esse número é 13% inferior ao levantado em 2006, quando 1,350 milhão de propriedades produziam leite. O assistente técnico regional de Sistemas de Produção Animal e Gestão Rural da Emater/RS-Ascar de Frederico Westphalen, Valdir Sangaletti, destaca que a diminuição do número de produtores está atrelada a falta de sucessão familiar.

–  O desafio é criar políticas públicas que incentivem o jovem a permanecer no campo e continuar nesta atividade fundamental. A pecuária de leite fornece duas safras diárias, no mínimo, além de prover uma renda mensal – destaca Sangaletti. 
  
Além disso, Valdir destaca que o grande desafio é a criação de estruturas, como cooperativas e prestadores de serviços, que possibilitem maior bem-estar na atividade leiteira, como o direito de tirar férias. São raros os casos em que as famílias conseguem algo assim. 

– Isso acontece, em algumas regiões do Brasil, em pequena escala, mas na Europa é uma prática frequente – frisa.

Produzir com eficiência e qualidade 

Outro ponto abordado pelo assistente técnico é a necessidade de uma produção eficiente e de qualidade. Para ele, o produto, independentemente de ser remunerado, precisa atingir parâmetros de qualidade, tanto na contagem de células somáticas (CCS) quanto na contagem bacteriana total (CBT). Para isso, mesmo com a certificação de zona livre de febre aftosa sem vacinação obtida pelo Rio Grande do Sul recentemente, Sangaletti afirma que é preciso seguir buscando a excelência de sanidade do rebanho. Dessa forma, é importante a integração cada vez maior entre os elos da cadeia produtiva de leite. 

– A indústria, o transportador, a assistência técnica, as cooperativas, o poder público municipal e o produtor precisam trabalhar em conjunto, já que todos têm sua importância e responsabilidade –, contextualiza. 

O gerenciamento da propriedade também é um fator significativo para a evolução do setor leiteiro. O técnico agropecuário e gerente do Departamento de Fomento da Lacticínios Stefanello, Adão Castro, aponta que estar acompanhando as notícias do mercado pode ser decisivo, pois a globalização permite que uma série de fatores também influenciem os contextos mais locais/regionais.

– O pecuarista de leite precisa estar atento ao mercado, à economia do país e do mundo, assim é possível entender a oscilação de preços e conseguir administrar melhor seu negócio – indica Castro. 
O mercado, de acordo com Sangaletti, precisa ser instigado através de políticas públicas que visem incentivar o consumo de leite. Para o assistente técnico, os 170 litros consumidos por habitante anualmente precisam saltar para 200 litros. Assim, haveria um impacto positivo na cadeia leiteira. 

E como fica o consumidor nesse processo?

Por fim, Valdir salienta que é preciso evoluir em relação ao entendimento de toda atividade. O que produzir e como apresentar esse produto ao consumidor são questões que devem balizar as decisões de toda cadeia produtiva. 

– Afinal, se nós estamos produzindo e prospectando novos mercados, temos que entender o que o consumidor quer. Isso passa pela qualidade, mas passa também pelo tamanho das embalagens, pelos produtos diferenciados e inúmeros fatores pormenores. Então, temos que nos indagar: qual o leite do futuro? – questiona. 

Fonte: Samuel Agazzi/Novo Rural
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