Levantamento mapeia 50 projetos para carne de laboratório no mundo | Tecnologia | Notícias | Novo Rural
PUBLICIDADE
Levantamento mapeia 50 projetos para carne de laboratório no mundo
Maioria dos brasileiros rejeita por desconfiança e preços elevados
Terça, 01 de Junho de 2021
Divulgação

O mercado global já possui ao menos 50 projetos para desenvolvimento e comercialização de “carne de laboratório” em 19 países, inclusive o Brasil. O levantamento, realizado pela Esentia Inteligência, evidencia uma verdadeira corrida para a alternativa tecnológica à produção tradicional de carne.

Sob a justificativa de proteínas animais mais “sustentáveis”, iniciativas de diversas partes do mundo estão investindo pesado no desenvolvimento das também conhecidas por carnes “in vitro”, “cultivadas”, “limpas” ou “sintéticas”.

Contudo, no caso do Brasil, 51% dos consumidores ainda rejeitam a ideia de provar o produto.

Segundo a consultoria brasileira, o mercado de carnes de laboratório deve movimentar US$ 140 bilhões a partir de 2030. Naquele ano, a previsão é que 10% do mercado mundial de carne seja atendido por carne de laboratório e que, em 2050, 35% da carne consumida no mundo venha dessa fonte.

Um aspecto importante para isso é o preço exorbitante que, no entanto, deve melhorar. O valor cobrado por um hambúrguer de carne cultivada, por exemplo, já caiu bastante nos últimos anos, mas ainda está entre US$ 2 mil e US$ 10 mil (entre R$ 10,4 mil e R$ 52,2 mil).

A expectativa é que, em 2030, caia para US$ 50, quando a carne estaria disponível em restaurantes. Em 2050, deve chegar a US$ 20. De acordo com a Esentia, contudo, é possível que haja um barateamento mais acelerado.

Desafios e desconfianças

Mas, como em toda nova indústria, ainda há desafios e desconfianças a serem superados. Diferentemente dos plant-based, já mais consolidado, a carne cultivada ainda está em uma fase de validação da tecnologia.

Uma das consequências disso é a incerteza quanto à qualidade do produto final, o que vai exigir investimentos robustos e pesquisas high-level.

Além disso, questões financeiras para a chegada efetiva destes produtos às prateleiras dos supermercados devem ser consideradas. Desde de custos que viabilizem a produção em escala até a tributação necessária para obter a aprovação regulamentar.

Consumidor brasileiro

O estudo da Esentia, realizado entre abril e maio, mostra uma divisão entre os consumidores brasileiros em relação ao produto, com “rejeição” entre 51% dos entrevistados.

Entre os fatores estão a indisposição em provar a carne cultivada, questões políticas (veganismo e vegetarianismo) e gosto pessoal. Para a consultoria, ainda há um longo caminho para a efetiva substituição da carne convencional pelo produto de laboratório nas mesas dos brasileiros.

Sob o ponto de vista dos consumidores, existem dúvidas frequentes se a carne cultivada em laboratório pode ser tão boa quanto a carne convencional e se ela irá aguçar o seu apetite da mesma forma.

“Os resultados sugerem que, mesmo que a carne de laboratório não se diferencie da convencional em aparência, textura, consistência, cheiro e sabor, o processo de produção pode resultar na percepção de um sistema de produção não natural”, disse o estudo.

Por outro lado, a disposição em provar é maior do que a disposição em comê-la e substituir as carnes convencionais efetivamente. Neste quesito, 33% apresentaram um sentimento positivo para as carnes cultivadas.

Entre os principais atributos, sejam negativos ou positivos em relação às carnes de laboratório, cinco se destacam: saudabilidade, custos, segurança, impacto ambiental e bem-estar animal.

Fonte: Da Redação, com informações AgEvolution
MAIS FOTOS