Redução de chuvas na primavera e verão não devem impactar a agricultura | Agricultura | Notícias | Novo Rural
FREDERICO WESTPHALEN - RS
PUBLICIDADE
Redução de chuvas na primavera e verão não devem impactar a agricultura
Mesmo com a presença do fenômeno La Niña, que reduzirá as precipitações no território gaúcho na primavera e no verão, meteorologista da Seapdr estima que a situação não deve impactar o setor agropecuário
Sexta, 25 de Setembro de 2020
Flor de pessegueiro. Foto Rafaela Rodrigues/Novo Rural

Quase chegando ao fim do ciclo da safra de inverno e nos preparativos para mais uma safra de verão, o setor agropecuário gaúcho se ampara nas tendências climáticas para seguir com os manejos necessários para o bom desempenho das lavouras. Para a primavera, iniciada no dia 22 de setembro, a meteorologia indica a presença do fenômeno La Niña, o que pode resultar na diminuição das chuvas neste período e no início do verão. 

A boa notícia é que, diferente de outros anos, este deve ser de pouca intensidade, ou seja, sem indícios de resultar em uma severa estiagem, como a presenciada na safra de verão 2019/2020. A informação é do meteorologista Flávio Varone, da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), que conversou com a reportagem da Novo Rural nesta semana.

Primavera

Caracterizada por ser uma estação chuvosa, o evento La Niña deve reduzir as precipitações no Estado gaúcho este ano. No entanto, para o fim do mês de setembro, Varone prevê um volume expressivo de chuva em todo o território gaúcho. Para outubro, a tendência é de chuva regular, dentro da normalidade para o Estado no período – 150 mm a 170 mm na primavera – o que naõ deve prejudicar a colheita de trigo. Já no mês de novembro e dezembro, as chuvas serão um pouco abaixo da média e ocorrerão de forma irregulares em algumas áreas.

– Ressalto que no mês de dezembro não faltará chuva, apenas teremos chuva abaixo da média – destacou Varone.

Sobre as temperaturas para a estação, o meteorologista explica que haverá a chamada amplitude térmica, ou seja, noites e madrugadas com temperaturas amenas e durante o dia a temperatura subindo. “Uma condição típica de primavera”, pondera.

Verão

De acordo com o meteorologista, não são esperadas estiagens para a temporada, o que deve favorecer o desenvolvimento da soja.

– Podem acontecer períodos mais secos em algumas áreas em virtude de as chuvas ocorrerem de forma irregulares nesse período. Falando sobre o Norte gaúcho, os gráficos, até o momento, não indicam situação severa de estiagem, mas é claro que continuamos no monitoramento – detalhou. 

Diferente do ano passado, quando o fim de primavera foi chuvoso e o início de verão foi mais seco, a transição primavera-verão não deve provocar grandes oscilações no clima.

Reforço de estações automáticas deve reduzir casos de deriva no RS

Nos próximos meses uma novidade deve ser lançada em nível estadual. Segundo Varone, a rede de estações meteorológicas do Estado ganhou mais 20 estações automáticas para monitorar, a cada três quilômetros, as condições adequadas de umidade, temperatura e vento para evitar a deriva do herbicida 2,4-D, que acontece quando as gotas do produto aplicadas em uma área são levadas pelo vento e atingem lavouras vizinhas com culturas sensíveis. Segundo Varone, que coordena o projeto, o objetivo é criar uma cultura de aplicação correta de defensivos hormonais, como o 2,4-D, com base em dados climáticos.

– O objetivo é que o produtor tenha disponível essas informações e saiba quais os horários mais apropriados para fazer a aplicação do produto. Vai funcionar como um semáforo: verde pode aplicar, amarelo mais atenção e vermelho significa que não deve aplicar, tudo baseado em condições meteorológicas. Posteriormente, as informações ficarão disponíveis no site da Secretaria Estadual da Agricultura – adiantou.

Meteorologia aplicada na agricultura e pecuária

A importância da meteorologia aplicada na agricultura e na pecuária também foi reforçada pelo meteorologista. 

– O monitoramento climático é estratégico para a agricultura e pecuária. No caso dos grãos, a agrometeorologia auxilia desde o manejo do solo, momento certo de fazer a irrigação até aplicar algum insumo. O conhecimento e controle dessas variáveis meteorológicas aplicadas a agricultura e a pecuária são estratégicos e evitam que os agricultores tenham maiores prejuízos – salientou Varone.


Assista:

Fonte: Rafaela Rodrigues/Novo Rural
MAIS FOTOS
COMENTÁRIOS