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Por que você toma chimarrão?
Sexta, 24 de Abril de 2020
Gracieli Verde/Arquivo Novo Rural

O chimarrão faz parte da rotina dos gaúchos em vários momentos do dia. Pode ser feito de vários modos, mas em todos eles é cultuada a tradição gaúcha. 

Neste dia 24 de abril é comemorado o Dia do Chimarrão. Para celebrar esta data, a reportagem resgatou um conteúdo publicado em 2017 na Revista Novo Rural, com a contribuição do diretor-executivo da Escola do Chimarrão, Pedro Schwengber. Vale a pena relembrar essa pauta.

A planta “mais completa” do planeta

O entusiasmo com que Pedro Schwengber fala do chimarrão não é à toa. Segundo ele, a erva-mate usada para a bebida é uma das plantas mais completas que existem no planeta. Além dos benefícios para a saúde, que em seguida vamos listar, o mate tem uma simbologia importante para o gaúcho.

– A pessoa que tem o hábito diário do chimarrão dificilmente vai ter depressão, porque mesmo quando mateamos solitos, o chimarrão responde a todas as perguntas, mesmo calado – ousa dizer Schwengber. E quem duvida?

Diversos motivos para cevar e tomar um mate

Pedro Schwengber defende que a erva-mate tem praticamente todas as vitaminas necessárias para o organismo humano, além de sais minerais. Listamos alguns dos benefícios da erva-mate, conforme a Escola do Chimarrão, para você cevar o mate mais consciente dos benefícios dessa bebida.

– A erva-mate é digestiva
– É um moderado diurético
– Estimulante das atividades físicas e mentais
– Contém vitaminas A, B1, B2, C e E
– É rica em sais minerais, como cálcio, ferro, fósforo, potássio, manganês
– É vasodilatador, atua sobre a circulação acelerando o ritmo cardíaco
– Auxiliar no combate ao colesterol ruim (LDL), graças à ação antioxidante
– É um produto rico em flavonóides (antioxidantes vegetais), que protegem as células e previnem o envelhecimento precoce
– Auxilia em dietas de emagrecimento


Curiosidades sobre a erva-mate

– A erva-mate só é produzida no Paraguai, Argentina e Brasil, nos Estados do Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul
– Paraná é o Estado maior produtor de erva-mate do Brasil, Santa Catarina fica em segundo e o Rio Grande do Sul em terceiro lugar
– Argentina é o maior produtor mundial de erva-mate, mas não tem erva nativa
– Já em relação ao consumo, o Uruguai lidera o ranking, mas não tem erva-mate. Em seguida aparecem Argentina, Paraguai, Síria e o Brasil, em quinto lugar
– No Brasil o consumo maior de erva-mate está no RS, seguido de SC e PR. Isso mesmo, bem no sentido inverso da produção
– Estão sendo feitos experimentos de plantio de erva-mate na África e na Índia, mas ainda sem resultados


A Escola do Chimarrão é um organização não-governamental que tem por objetivo difundir os benefícios da bebida, bem como valorizar a erva-mate produzida no Estado.

Com a palavra, diretor-executivo da Escola do Chimarrão, Pedro Schwengber

Novo Rural –Qual o segredo para um bom chimarrão?

Pedro Schwengber – Talvez sejam várias técnicas. Em primeiro lugar, tem que saber a temperatura da água, escolher e armazenar a erva-mate de forma correta, preparar e escolher bem a cuia, assim como a bomba. A cuia, por exemplo, é muito pessoal, cada um tem a sua preferência. As bombas devem ser de aço inoxidável, que é mais higiênica e funcional. Ao lavar a cuia, use somente água corrente, com esponja ou escova, deixe deitada, que é a única forma de o oxigênio passar por ela. Para lavar a bomba deixe-a em água corrente, para não deixar pó acumulado no bojo e não entupir. Outra coisa: escolha a erva-mate pela data de fabricação e não de vencimento, porque a Anvisa prevê que tem dois anos de validade, então quanto mais nova, melhor. O armazenamento pode ser feito no freezer, porque a erva é muito sensível e aí mantém a mesma cor e o sabor por até seis anos – eu tenho um freezer só para erva-mate.

Novo Rural – E em relação à água?

Schwengber – A água precisa ser de qualidade e estar na temperatura certa. É importante ter um termômetro. O ideal é em torno de 70°C, jamais acima de 73°C. Importante dizer que não viemos para cá para dizer que essa é a forma ideal de fazer chimarrão, mas que também pode ser assim, porque o mais errado de tudo é não tomar chimarrão, tendo em vista os benefícios da erva-mate. Mas reforço: fazer chimarrão sem termômetro é como dizer as horas sem relógio.

Novo Rural – Como a qualidade do porongo interfere nisso?

Schwengber – Bom, a história do porongo vem desde os índios. Tanto que remotamente os ricos não tomavam chimarrão. Quem tomava eram os índios, depois os escravos e mais tarde os peões de estância. Mas, de forma geral, as pessoas se renderam ao chimarrão. As primeiras bombas, por exemplo, eram de taquara. As bombas de metais foram aprimoradas com bojo depois de 1900. Aí começaram a surgir outras cuias, como de porcelana, de vidro, de madeira. Mas, para o bom chimarrão, nada substitui o porongo e, de preferência, o mais natural possível, sem muitos enfeites, no máximo uma base para apoiar. Os bocais de alumínio ou outros materiais são bem anti-higiênicos, porque é um ambiente próprio para germes e bactérias. Não sou contra quem utiliza ou vende, mas não uso.

Fonte: Gracieli Verde/Novo Rural
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