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FREDERICO WESTPHALEN - RS
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Agricultura familiar sente os impactos da pandemia nos negócios
Apesar da maior parte das atividades do setor agropecuário serem mantidas, a agricultura familiar está sentindo os efeitos do Coronavírus na hora de comercializar produtos de venda direta ao consumidor
Terça, 24 de Março de 2020
Gracieli Verde/Arquivo Novo Rural

Mesmo que o setor agropecuário esteja seguindo com maior parte das atividades em meio a pandemia do Covid-19, especialmente a colheita da soja, produtores da agricultura familiar sentem impactos significativos no volume de vendas de hortaliças e frutas. Além disso, o setor precisa driblar outra questão em solo gaúcho, a estiagem.

Para o empresário rural André Bisolo, da Embutidos Bisolo, de Frederico Westphalen/RS, o volume de vendas diminuiu em torno de 40% nesses últimos dias, tendo em vista que alguns dos estabelecimentos comerciais que vendiam os produtos da agroindústria, como restaurantes, fecharam para aderir os decretos vigentes. Somando a este cenário, as feiras voltadas para o setor, que são importantes canais de comercialização, foram adiadas ou canceladas. 

– Na medida do possível, as vendas diretas continuam, mas tomando todas as medidas necessárias para a prevenção. O que mais tem se mantido é a venda nos supermercados. No momento, a preocupação é com o futuro e como os consumidores se comportarão. Fico apreensivo com o futuro, pensando se o consumidor vai ter dinheiro para adquirir um produto de valor agregado como o nosso – comenta o empresário.

Para o produtor de hortaliças Davi Rebelato, de Palmeira das Missões/RS, as vendas também reduziram em torno de 40%. A maioria dos produtos são comercializados na Feira do Produtor do município, que ocorre na terça-feira, quarta-feira, sexta-feira e sábado de cada semana. Esta, a princípio, deve continuar sendo realizada, respeitando as medidas impostas pelos órgãos da Saúde e administração municipal. 

– Começamos a sentir a redução nas vendas na primeira quinzena de março, nesta semana foi mais expressiva – ressalta Rebelato. 

Como são alimentos perecíveis, o produtor precisa lidar com a questão do desperdício quando estes não são comprados e consumidos. Uma das estratégias adotadas por ele é a doação. "Repolho e abóbora, por exemplo, conseguimos reaproveitar em outras feiras. Mas alface e rúcula não, pois perdem a qualidade", lamenta.

A venda de produtos na Feira do Produtor de Frederico Westphalen, que ocorre nos sábados de manhã, espera pelo aval da administração municipal para a sua realização, segundo o Escritório Municipal da Emater/RS-Ascar. Segundo a produtora de mel Vande Gaitcoski, representante dos feirantes, o espaço abriu as portas normalmente no último sábado, dia 21. "Estamos tomamos todas as medidas para comercializar nossos produtos com segurança", garante.

De acordo com o presidente da Cooperativa de Produtos da Agricultura Familiar de Frederico Westphalen (Copraf), Vanderlei Zonta, a pandemia vai gerar impactos significativos na economia dessas famílias, principalmente para aquelas que não têm muitos canais de comercialização. "Precisamos aguardar os próximos dias para analisar melhor a situação", disse. 

Iniciativas para driblar a situação

Para a reportagem da Novo Rural, o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag/RS), Carlos Joel da Silva, demonstrou a atenção que a entidade está tendo sobre a situação da agricultura familiar.

– Estamos identificando impactos nos negócios daqueles que vendem frutas, hortaliças e outros produtos de valor agregado, como os embutidos. O consumidor também está se mostrando retraído neste momento. Estamos trabalhando em iniciativas, como criar cestas básicas à base de produtos da agricultura familiar dentro dos municípios, para a população mais carente, com compra oficial do governo, mas ainda estamos analisando a viabilidade desta e de outras ações junto ao Ministério da Agricultura – adiantou.

Proagro: situação das vistorias na região

Segundo informações cedidas pelo Escritório Regional da Emater/RS-Ascar de Frederico Westphalen, cerca de 848 vistorias já foram realizadas e estão em fase de conclusão. Em torno de 70 vistorias ainda foram levantadas durante esta semana que passou.. Os técnicos continuam indo a campo, mas tomando as precauções com uso de álcool em gel, segundo a instituição. Ainda restam 10 laudos em avaliação.

Merendas escolares

A Lei nº 11.947, de 16 de junho de 2009, determina que no mínimo 30% do valor repassado a estados, municípios e Distrito Federal para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) devem ser utilizados obrigatoriamente na compra de gêneros alimentícios provenientes da agricultura familiar.

Em comunicado, o secretário federal de Agricultura Familiar e Cooperativismo junto ao Mapa, Fernando Schwanke, tranquilizou o setor, já que a maioria das escolas suspenderam as atividades e a apreensão pairou sobre os produtores, pois uma grande parcela considera esta fonte de renda como importante. 

– Levamos essa problemática para a ministra Tereza Cristina. O Ministério da Educação determinou que secretários estaduais e municipais da Educação continuem com o programa ativo. A ideia é que os alimentos sejam recebidos nas escolas e uma vez por semana estes sejam distribuídos para as famílias dos alunos – ressaltou.

Em Frederico Westphalen, entretanto, esta prática não está acontecendo, segundo a direção da Copraf.

Fonte: Gracieli Verde e Rafaela Rodrigues/Novo Rural
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