Nota técnica: Morte de plantas na emergência da soja | Agricultura | Notícias | Novo Rural
FREDERICO WESTPHALEN - RS
PUBLICIDADE
Nota técnica: Morte de plantas na emergência da soja
Lavouras de soja em diversas regiões do Sul do Brasil estão apresentando problemas relacionados a morte de plantas no período de estabelecimento e desenvolvimento inicial da cultura
Sexta, 09 de Novembro de 2018
Embrapa/Divulgação

Lavouras de soja em diversas regiões do Sul do Brasil estão apresentando problemas relacionados a morte de plantas no período de estabelecimento e desenvolvimento inicial da cultura. No Rio Grande do Sul, houve excesso de chuvas no mês de outubro e início de novembro, atrasando a semeadura da soja. Esse cenário dificulta a obtenção de condições ideais de unidade do solo e temperatura para a semeadura, obrigando diversos agricultores a realizar a implantação da cultura em condição não ideais para a emergência de plantas. 

As condições de solo encharcado, compactado e com problemas de drenagem, associadas ou de forma individual, resultaram em morte de plântulas de soja logo após a emergência. Com relação ao ambiente, os solos excessivamente encharcados e com temperaturas entre 15°C e 20 ºC são extremamente favoráveis ao desenvolvimento de Pythium e Phytophthora, enquanto que solos úmidos e quentes são ideais para a proliferação de Rhizoctonia. A ocorrência e a intensidade dessas doenças é maior ou menor em função da cultivar, da qualidade das sementes e do tratamento de sementes utilizado.

O tombamento de plântulas (Rhizoctonia solani) está entre as doenças que estão afetando  áreas de cultivo no RS, sua ocorrência está presente em diversas culturas, como milho, soja e feijão.  A incidência e a gravidade dessa doença está relacionada às condições do solo e a rotação de espécies na área de cultivo.

Os sintomas mais graves aparecem após a emergência, em que pode haver atraso no desenvolvimento da planta, deformação e descoloração dos caules e necrose do tecido vascular.

De maneira geral, diversos patógenos são beneficiados quando a germinação da soja se dá de forma lenta, isso ocorre porque os tecidos tenros das plântulas emergidas possuem menor resistência à infecção por doenças.

Nesse contexto, as principais medidas preventivas que podem ser adotadas pelos técnicos e agricultores para evitar perdas de plantas em áreas de produção, por problemas decorrentes de patógenos no desenvolvimento inicial da cultura da soja, destacam-se:

  •     A utilização de semente legal garante índices mínimos de germinação e vigor. Elevados níveis de vigor na semente garantem um estabelecimento uniforme e rápido da cultura, promovendo um menor período de suscetibilidade aos patógenos. Além disso, sementes sem garantia de procedência podem estar contaminadas por patógenos, gerando maiores prejuízos no estabelecimento.
  •     O tratamento de sementes com produtos eficientes e com aplicação uniforme sobre as sementes é fundamental. Devemos considerar que cada semente é uma unidade produtora de grão e todas necessitam estar protegidas no campo com a dose recomendada do ingrediente ativo em questão. 
  •     A utilização de cultivares resistentes, adaptadas à solos compactados e com dificuldade de drenagem.
  •     A rotação de culturas apresenta grande importância no manejo de diversas doenças, isto porque a utilização de espécies diferentes possui a capacidade de reduzir as populações de determinados patógenos.
  •     A uniformidade no processo de semeadura e distribuição de sementes garante a obtenção de estandes de plantas adequado e uniforme. 
  •     A utilização de semeadoras equipadas com “sulcadores” para descompactar o solo na linha de semeadura tem proporcionado resultados satisfatórios frente à outros mecanismos, criando um micro ambiente favorável para aeração do solo e emergência das plantas. 

Por Alexandre Gazolla Neto, consultor, pesquisador e professor na URI/FW

Fonte: Por Alexandre Gazolla Neto, consultor, pesquisador e professor na URI/FW
MAIS FOTOS
COMENTÁRIOS